Editorial

Tal qual o fugidio mar do deserto, o caminho para o sentido do texto, se não lhe basta revelar formas disformes, faz ao menos apelo a três decisões sempre fundamentais. Em meio à vastidão da estrada semântica do texto, o/a tradutor/a, à imagem de um viajor novel petrificado pelo grotesco e pela arrogância do deserto, vê-se compelido a, 1) uma adição cultural integral (Seja, a mão que afaga é a que dita as regras. Nesse baile desértico, gozar de uma hidratação alimentícia, intelectual ou espiritual poderá exigir, em alguma medida, uma absorção voluntária de infusões decerto não muito agradáveis, mas extremamente vitais. O que há de cá especificar, é que a suposta condição de “menor/inferior” não deve legalizar a submissão, o abandono de si, ou qualquer desqualificação de nosso aporte ao encontro.), 2) uma renúncia pueril ou uma abnegação voraz (Dependendo do que o transportador tem lá certeza de oferecer no banquete, poderá sujeitar-se a sabores desconcertantes.), e 3) um deslocamento germinal (Mais do que ofertar um novo cardápio a esses hóspedes de circunstância, o viajador planta sementes para futuros itinerantes.). A presente edição da Acácia é prova disso. Cada tradutor e tradutora nos leva a explorar uma dessas possibilidades. Uns já conhecedores dessa infinda e movediça praia areal. Outros, mochilas nas costas, prontos para travar batalha contra as dentadas das sutilezas textuais, dão a cada leitor/a a possibilidade de uma experiência coletiva.

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