Editorial

Em Translators through History (1995), obra-prima de Jean Deslile e Judith Woodsworth, descobrimos panoramicamente como se deu a constituição de alfabetos, a formação de cânones literários, o desenvolvimento das próprias línguas, a formação de uma identidade nacional etc.; no que a tradução tem ocupado um papel central. Se não é novidade lembrar esses fatos, o que ainda surpreende é o lugar que os tradutores continuam ocupando. É a afabilidade desse poderoso protagonista em busca de propalação que vislumbra. Muito se discutiu, se discute e se discutirá sobre a vital contribuição da tradução no dia a dia das nações, de suas populações e de sua presença, quer política, filosófica e literária no cenário internacional. Não obstante, o que menos se faz é tradução. Diz o ditado ‘apreende-se fazendo’. As reflexões sobre a tradução parecem, cada vez, exigir de nós mais proximidade com o ofício em si, com a prática.

Seria uma simplificação gratuita dizermos sem nuançar que todos os tradutores se encontram em tal situação. O fato inegável é sua margem de fala, sua presença na tradução. Pode o tradutor falar na tradução?

 

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